Disfunções metabólicas e vertigem
apresentação e revisão dos métodos diagnósticos
Palavras-chave:
Vertigem, orelha interna, doenças metabólicas, glucose, diabetes mellitusResumo
Contexto: A tontura é um sintoma de alta prevalência e as labirintopatias de causas metabólicas destacam-se como uma das mais frequentes em nosso meio. Distúrbios do metabolismo glicêmico, disfunções tireoidianas e dislipidemias são as principais. Objetivos: Os objetivos deste estudo são descrever a porcentagem das principais disfunções metabólicas nos pacientes com vertigem e revisar os métodos diagnósticos. Desenho e local: Estudo observacional de pacientes atendidos no setor de Otoneurologia do Instituto Penido Burnier. Métodos: Avaliação de 506 pacientes com vertigem por meio da análise do hormônio tireoestimulante, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, insulina de jejum, curvas glicoinsulinêmica de três horas, colesterol total e suas frações (lipoproteína de alta densidade [HDL] e lipoproteína de baixa densidade [LDL]) e triglicerídeos. Foi feita a comparação entre os sexos e com os dados encontrados na população geral. Resultados: Níveis de HDL, triglicerídeos e glicemia de jejum foram mais alterados no sexo masculino e o colesterol total foi mais elevado no sexo feminino. A elevação do HOMA (homeostatic model assessment) foi a alteração mais significante encontrada no grupo em estudo comparando com a população geral, entretanto as curvas glicoinsulinêmicas mostraram mais alterações em comparação ao HOMA. Discussão: A análise do HOMA e da curva glicoinsulinêmica mostrou que a porcentagem de alteração é diferente entre os métodos, não havendo concordância entre eles. O HOMA não substitui as curvas na investigação dos pacientes com vertigem e suspeita de distúrbios do metabolismo glicêmico. Conclusão: É alta a porcentagem das disfunções metabólicas na população com vertigem, justificando a investigação laboratorial neste grupo de pacientes.
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