Disfunções metabólicas e vertigem

apresentação e revisão dos métodos diagnósticos

Autores

  • Caroline Cardoso Gusson Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier
  • Raquel Mezzalira Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier
  • Márcia Maria do Carmo Bilécki Stipsky Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier
  • Julia Carvalho Kozelinski Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier
  • Rodrigo Dechichi Zuppi Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier

Palavras-chave:

Vertigem, orelha interna, doenças metabólicas, glucose, diabetes mellitus

Resumo

Contexto: A tontura é um sintoma de alta prevalência e as labirintopatias de causas metabólicas destacam-se como uma das mais frequentes em nosso meio. Distúrbios do metabolismo glicêmico, disfunções tireoidianas e dislipidemias são as principais. Objetivos: Os objetivos deste estudo são descrever a porcentagem das principais disfunções metabólicas nos pacientes com vertigem e revisar os métodos diagnósticos. Desenho e local: Estudo observacional de pacientes atendidos no setor de Otoneurologia do Instituto Penido Burnier. Métodos: Avaliação de 506 pacientes com vertigem por meio da análise do hormônio tireoestimulante, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, insulina de jejum, curvas glicoinsulinêmica de três horas, colesterol total e suas frações (lipoproteína de alta densidade [HDL] e lipoproteína de baixa densidade [LDL]) e triglicerídeos. Foi feita a comparação entre os sexos e com os dados encontrados na população geral. Resultados: Níveis de HDL, triglicerídeos e glicemia de jejum foram mais alterados no sexo masculino e o colesterol total foi mais elevado no sexo feminino. A elevação do HOMA (homeostatic model assessment) foi a alteração mais significante encontrada no grupo em estudo comparando com a população geral, entretanto as curvas glicoinsulinêmicas mostraram mais alterações em comparação ao HOMA. Discussão: A análise do HOMA e da curva glicoinsulinêmica mostrou que a porcentagem de alteração é diferente entre os métodos, não havendo concordância entre eles. O HOMA não substitui as curvas na investigação dos pacientes com vertigem e suspeita de distúrbios do metabolismo glicêmico. Conclusão: É alta a porcentagem das disfunções metabólicas na população com vertigem, justificando a investigação laboratorial neste grupo de pacientes.

Biografia do Autor

Caroline Cardoso Gusson, Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier

Médica otorrinolaringologista na Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier, Campinas (SP), Brasil.

Raquel Mezzalira, Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier

Médica otorrinolaringologista e assistente da Disciplina de Otorrinolaringologia Cabeça e Pescoço da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e da clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier, Campinas (SP), Brasil.

Márcia Maria do Carmo Bilécki Stipsky, Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier

Médica otorrinolaringologista na Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier, Campinas (SP), Brasil.

Julia Carvalho Kozelinski, Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier

Residente do terceiro ano de otorrinolaringologia na Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier, Campinas (SP), Brasil.

Rodrigo Dechichi Zuppi, Clínica de Otorrinolaringologia do Instituto Penido Burnier

Acadêmico em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Campinas (SP), Brasil.

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Publicado

2021-04-12

Como Citar

1.
Gusson CC, Mezzalira R, Stipsky MM do CB, Kozelinski JC, Zuppi RD. Disfunções metabólicas e vertigem: apresentação e revisão dos métodos diagnósticos. Diagn. tratamento. [Internet]. 12º de abril de 2021 [citado 18º de abril de 2026];26(2):58-64. Disponível em: https://periodicosapm.emnuvens.com.br/rdt/article/view/186

Edição

Seção

Artigo Original