Fatores associados à baixa capacidade funcional em idosos institucionalizados
um estudo transversal
Palavras-chave:
Envelhecimento, aptidão física, atividades cotidianas, instituição de longa permanência para idosos, exercício físicoResumo
Contexto: Há alta prevalência de dependência funcional entre os idosos institucionalizados, entretanto, poucos estudos utilizaram testes de desempenho físico para mensurar a capacidade funcional do idoso. Objetivo: Analisar a prevalência e os fatores associados à baixa capacidade funcional em idosos institucionalizados. Tipo de estudo e local: Estudo transversal, com amostra por conveniência composta por 153 idosos residentes de seis instituições de longa permanência filantrópica do município de São Caetano do Sul. Métodos: Para determinar a escala de capacidade funcional, foi utilizada a circunferência da perna, flexão de cotovelo, velocidade de andar e marcha estacionária. As variáveis independentes foram sexo, idade, tempo de internação, medicamentos, depressão, estado cognitivo e nível de atividade física. Utilizou-se análise de regressão de Poisson com variância robusta para estimar a razão de prevalência (RP). Resultados: A prevalência de baixa capacidade funcional foi de 57%. A faixa etária > 80 anos (RP: 1,66; intervalo de confiança, IC 95%: 1,13–2,44), presença de déficit cognitivo (RP: 2,19; IC 95%:1,08–4,41), e baixo número de passos (RP: 5,39; IC 95%: 1,44–20,10) se associaram diretamente com a baixa capacidade funcional. No entanto, o excesso de peso (RP: 0,59; IC 95%: 0,39–0,89) e a obesidade (RP: 0,42; IC 95%:0,22–0,81) se associaram inversamente com a baixa capacidade funcional. Conclusão: O nível de atividade física, o estado cognitivo e a idade foram associados à baixa capacidade funcional. O índice de massa corporal foi inversamente associado com a baixa capacidade funcional.
Referências
Camarano AA, Kanso S. As instituições de longa permanência para idosos no Brasil. Rev Bras Estud Popul. 2010;27(1):232-5. https://doi.org/10.1590/S0102-30982010000100014.
Born T, Boechat NS. A qualidade dos cuidados ao idoso institucionalizado. In Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. p.768-77
Del Duca GF, Silva SG, Thumé E, Santos IS, Hallal PC. Predictive factors for institutionalization of the elderly: a case-control study. Rev Saude Publica. 2012;46(1):147-53. PMID: 22249756; https://doi.org/10.1590/s0034-89102012000100018.
Bachmann N, Zumbrunn A, Bayer-Oglesby L. Social and Regional Factors Predict the Likelihood of Admission to a Nursing Home After Acute Hospital Stay in Older People With Chronic Health Conditions: A Multilevel Analysis Using Routinely Collected Hospital and Census Data in Switzerland. Front Public Health. 2022;10:871778. PMID: 35615032; https://doi.org/10.3389/fpubh.2022.871778.
Lisboa CR, Chianca TCM. Perfil epidemiológico, clínico e de independência funcional de uma população idosa institucionalizada. Rev Bras Enferm. 2012;65(3):482-8. https://doi.org/10.1590/S0034-71672012000300013.
Caçador C, Teixeira-Lemos E, Oliveira J, et al. The Relationship between Nutritional Status and Functional Capacity: A Contribution Study in Institutionalised Portuguese Older Adults. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(7):3789. PMID: 33916422; https://doi.org/10.3390/ijerph18073789.
Araújo MOPH, Ceolim MF. Avaliação do grau de independência de idosos residentes em instituições de longa permanência. Rev Esc Enferm USP. 2007;41(3):378-85. https://doi.org/10.1590/S0080-62342007000300006.
García-Gollarte JF, García-Andrade MM, Santaeugenia-González SJ, et al. Risk Factors for Mortality in Nursing Home Residents: An Observational Study. Geriatrics (Basel). 2020;5(4):71. PMID: 33050016; https://doi.org/10.3390/geriatrics5040071.
Rikli RE, Jones JC. Sênior fitness test manual. Champaign, IL: Human Kinetics; 2001.
Fried LP, Ferrucci L, Darer J, Williamson JD, Anderson G. Untangling the concepts of disability, frailty, and comorbidity: implications for improved targeting and care. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2004;59(3):255-63. PMID: 15031310; https://doi.org/10.1093/gerona/59.3.m255.
Baumgartner RN, Koehler KM, Gallagher D, et al. Epidemiology of sarcopenia among the elderly in New Mexico. Am J Epidemiol. 1998;147(8):755-63.
Erratum in: Am J Epidemiol 1999;149(12):1161. PMID: 9554417; https://doi.org/10.1093/oxfordjournals.aje.a009520.
Guralnik JM, Simonsick EM, Ferrucci L, et al. A short physical performance battery assessing lower extremity function: association with self-reported disability and prediction of mortality and nursing home admission. J Gerontol. 1994;49(2):M85-94. PMID: 8126356; https://doi.org/10.1093/geronj/49.2.m85.
Physical status: the use and interpretation of anthropometry. Report of a WHO Expert Committee. World Health Organ Tech Rep Ser. 1995;854:1-452. PMID: 8594834.
Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC no 283, de 26 de setembro de 2005. Regulamento técnico que define normas de funcionamento para as Instituições de LongaPermanência para Idosos. Brasília: ANVISA; 2005. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2005/res0283_26_09_2005.html. Acessado em 2022 (19 ago).
Najas MS, Nebuloni CC. Avaliação Nutricional. In: Ramos LR, Toniolo Neto J, editores. Geriatria e Geontologia. Barueri: Manole; 2005. p. 299.
Yesavage JA, Brink TL, Rose TL, et al. Development and validation of a geriatric depression screening scale: a preliminary report. J Psychiat Res. 1982-1983;17(1):37-49. PMID: 7183759; https://doi.org/10.1016/0022-3956(82)90033-4.
Folstein MF, Folstein SE, McHugh PR. “Mini-mental state”. A practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. J Psychiatr Res. 1975;12(3):189-98. PMID: 1202204;https://doi.org/10.1016/0022-3956(75)90026-6.
Brucki SM, Nitrini R, Caramelli P, Bertolucci PH, Okamoto IH.Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil [Suggestions for utilization of the mini-mental state examination in Brazil]. Arq Neuropsiquiatr. 2003;61(3B):777-81. PMID: 14595482; https://doi.org/10.1590/s0004-282x2003000500014.
Cantril H. The pattern of human concerns. New Burnswick: Rutgers University Press; 1967
Características das instituições de longa permanência para Idosos – região Sudeste/coordenação geral Ana Amélia Camarano.Brasília: IPEA/Presidência da República, 2010. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/3263. Acessado em 2022 (19 ago).
Maciel ACC, Araujo LM. Fatores associados às alterações na svelocidade de marcha e força de preensão manual em idosos institucionalizados. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2010;13(2):179-89. https://doi.org/10.1590/S1809-98232010000200003.
Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Estudos e Pesquisas. Informação Demográfica e Socioeconômica número 24. Projeção da População do Brasil por sexo e idade - 1980-2050. Revisão 2008. Rio de Janeiro: IBGE; 2008. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv41229.pdf. Acessado em 2022 (28 set).
Caçador C, Teixeira-Lemos E, Martins SO, Ramos F. The Role of Nutritional Status on Polypharmacy, Cognition, and Functional Capacity of Institutionalized Elderly: A Systematic Review. Nutrients. 2021;13(10):3477. PMID: 34684478; https://doi.org/10.3390/nu13103477.
Aspinall SL, Zhao X, Semla TP, et al. Epidemiology of drug-disease interactions in older veteran nursing home residents. JAm Geriatr Soc. 2015;63(1):77-84. PMID: 25537124; https://doi.org/10.1111/jgs.13197.
Lucchetti G, Granero AL, Pires SL, Gorzoni ML. Fatores associados à polifarmácia em idosos institucionalizados. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2010;13(1):51-8. https://doi.org/10.1590/S1809-98232010000100006.
Onder G, Liperoti R, Fialova D, et al. Polypharmacy in nursing home in Europe: results from the SHELTER study. J Gerontol ABiol Sci Med Sci. 2012;67(6):698-704. PMID: 22219520; https://doi.org/10.1093/gerona/glr233.
Nielsen AB, Siersma V, Waldemar G, Waldorff FB. The predictive value of self-rated health in the presence of subjective memory complaints on permanent nursing home placement in elderly primary care patients over 4-year follow-up. Age Ageing. 2014;43(1):50-7. PMID: 23985335; https://doi.org/10.1093/ageing/aft131.
Nogueira D, Reis E. Swallowing disorders in nursing home residents: how can the problem be explained? Clin Interv Aging. 2013;8:221-7. PMID: 23449951; https://doi.org/10.2147/CIA.S39452.
Scherrer Júnior G, Okuno MFP, Oliveira LM, et al. Quality of life of institutionalized aged with and without symptoms of depression. Rev Bras Enferm. 2019;72(suppl 2):127-33. PMID: 31826201; https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0316.
Gnjidic D, Stanaway FF, Cumming R, et al Mild cognitive impairment predicts institutionalization among older men: a population-based cohort study. PLoS One. 2012;7(9):e46061. PMID: 23029389; https://doi.org/10.1371/journal.pone.0046061.
Oliveira PH, Mattos IE. Prevalência e fatores associados à incapacidade funcional em idosos institucionalizados no Município de Cuiabá, Estado de Mato Grosso, Brasil, 2009-2010. Epidemiol Serv Saúde. 2012;21(3):395-406. http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742012000300005.
Veronese N, De Rui M, Toffanello ED, et al. Body mass index as a predictor of all-cause mortality in nursing home residents duringa 5-year follow-up. J Am Med Dir Assoc. 2013 Jan;14(1):53-7. PMID: 23141123; https://doi.org/10.1016/j.jamda.2012.09.014.
Tudor-Locke C, Craig CL, Aoyagi Y, et al. How many steps/day are enough? For older adults and special populations. Int J Behav Nutr Phys Act. 2011;8:80. PMID: 21798044; https://doi.org/10.1186/1479-5868-8-80.
Lee IM, Shiroma EJ, Kamada M, et al. Association of Step Volume and Intensity With All-Cause Mortality in Older Women. JAMA Intern Med. 2019;179(8):1105-12. PMID: 31141585; https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2019.0899.
de Souto Barreto P, Morley JE, Chodzko-Zajko W, et al. Recommendations on Physical Activity and Exercise for Older Adults Living in Long-Term Care Facilities: A Taskforce Report. J Am Med Dir Assoc. 2016;17(5):381-92. PMID: 27012368; https://doi.org/10.1016j.jamda.2016.01.021.
Bigaard J, Frederiksen K, Tjønneland A, et al. Body fat and fat-free mass and all-cause mortality. Obes Res 2004;12(7):1042-9.PMID: 5292467; https://doi.org/10.1038/oby.2004.131.


