Aspectos psicogênicos e opções terapêuticas da ejaculação retardada

Autores

  • Heloisa Junqueira Fleury Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
  • Carmita Helena Najjar Abdo Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

Ejaculação, comportamento sexual, psicoterapia, coito, masturbação

Resumo

A ejaculação retardada caracteriza-se pelo atraso acentuado da ejaculação, mesmo com estimulação sexual adequada e desejo de ejacular. A prevalência estimada é de 1% a 4%. Tentativas prolongadas para atingir o orgasmo causam exaustão e desconforto genital. Há influência de fatores biopsicossociais-comportamentais e culturais que podem desencadear, reforçar ou agravar a probabilidade de ocorrência. Pode ser desencadeada por medicações. Conduz a uma menor satisfação no relacionamento, ansiedade com o desempenho sexual, a uma atividade sexual menos frequente e problemas relacionados à saúde. Portadores sentem menos excitação sexual subjetiva, apesar da resposta erétil ser boa, e diminuição da sensibilidade peniana. A frequência de masturbação é alta, com estilo próprio e as fantasias sexuais preferidas não ocorrem no sexo com parceria. Preferem masturbação ao sexo compartilhado. Mantêm a ereção, mesmo quando perdem a excitação, aparentemente pela necessidade de satisfazer a parceria. Os fatores psicológicos incluem medos, hostilidade, ansiedade de desempenho e sentimento de culpa. O tratamento deve ser particularizado, individual ou do casal. Dados limitados apoiam psicoterapia, farmacoterapia e/ou estimulação vibratória peniana como opções de manejo. Indicadas reeducação masturbatória e aproximação das fantasias à realidade do paciente. Fantasias sexuais não convencionais são frequentes e dificultam o tratamento. A psicoterapia busca diminuir o estigma, facilitar a comunicação entre os parceiros, informar e diminuir a ansiedade relacionada à atividade sexual. Também são úteis as atividades lúdicas e as práticas sexuais alternativas. Os casos mais graves se beneficiam do tratamento medicamentoso integrado ao psicoterapêutico, mesmo havendo complicações psicossociais-comportamentais e culturais concomitantes.

Biografia do Autor

Heloisa Junqueira Fleury, Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Psicóloga, mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Carmita Helena Najjar Abdo, Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Psiquiatra, livre-docente e professora associada do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Referências

American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-V. 5 ed. Washington: American Psychiatric Association;2013. doi: 10.1176/appi.books.9780890425596.

Shin DH, Spitz A. The evaluation and treatment of delayed ejaculation. Sex Med Rev. 2014;2(3-4):121-33. PMID: 27784563; doi: 10.1002/smrj.25.

Althof SE, Abdo CH, Dean J, et al. International Society for Sexual Medicine’s guidelines for the diagnosis and treatment of premature ejaculation. J Sex Med. 2010;7(9):2947-69. PMID: 21050394; doi: 10.1111/j.1743-6109.2010.01975.x.

Waldinger MD, Schweitzer DH. Retarded ejaculation in men: an overview of psychological and neurobiological insights. World J Urol. 2005;23(2):76-81. PMID: 15937707; doi: 10.1007/s00345-004-0487-8.

Abdel-Hamid IA, Ali OI. Delayed ejaculation: pathophysiology, diagnosis, and treatment. World J Mens Health. 2018;36(1):22-40. PMID: 29299903; doi: 10.5534/wjmh.17051.

McMahon CG, Jannini E, Waldinger M, Rowland D. Standard operating procedures in the disorders of orgasm and ejaculation. J Sex Med. 2013;10(1):204-29. PMID: 22970767; doi: 10.1111/j.1743-6109.2012.02824.x.

Perelman MA. Psychosexual therapy for delayed ejaculation based on the Sexual Tipping Point model. Transl Androl Urol. 2016;5(4):563-75. PMID: 27652228; doi: 10.21037/tau.2016.07.05.

Jenkins LC, Mulhall JP. Delayed orgasm and anorgasmia. Fertil Steril. 2015;104(5):1082-8. PMID: 26439762; doi: 10.1016/j.fertnstert.2015.09.029.

Rowland D, van Diest S, Incrocci L, Slob AK. Psychosexual factors that differentiate men with inhibited ejaculation from men with no dysfunction or another sexual dysfunction. J Sex Med. 2005;2(3):383-9. PMID: 16422870; doi: 10.1111/j.1743-6109.2005.20352.x.

Rowland DL, Keeney C, Slob AK. Sexual response in men with inhibited or retarded ejaculation. Int J Impot Res. 2004;16(3):270-4. PMID: 14961061; doi: 10.1038/sj.ijir.3901156.

Perelman MA. Retarded ejaculation. Curr Sex Health Rep. 2004;1:95-101. doi: 10.1007/s11930-004-0023-2.

Apfelbaum B. The diagnosis and treatment of retarded ejaculation. In: Leiblum S, Rosen R, editors. Principles and practice of sex therapy: update for the 1990s. Guilford Press: New York; 1989. p. 168-206.

Althof SE. Psychological interventions for delayed ejaculation/orgasm. Int J Impot Res. 2012;24(4):131-6. PMID: 22378496; doi: 10.1038/ijir.2012.2.

Martin-Tuite P, Shindel AW. Management options for premature ejaculation and delayed ejaculation in men. Sex Med Rev. 2019;pii: S2050-0521(19)30095-2. PMID: 31668585; doi: 10.1016/j.sxmr.2019.09.002.

Sadowski DJ, Butcher MJ, Köhler TS. A review of pathophysiology and management options for delayed ejaculation. Sex Med Rev. 2016;4(2):167-76. PMID: 27530382; doi: 10.1016/j.sxmr.2015.10.006.

Rowland D, McMahon CG, Abdo C, et al. Disorders of orgasm and ejaculation in men. J Sex Med. 2010;7(4 Pt 2):1668-86. PMID: 20388164; doi: 10.1111/j.1743-6109.2010.01782.x.

Downloads

Publicado

2020-04-10

Como Citar

1.
Fleury HJ, Abdo CHN. Aspectos psicogênicos e opções terapêuticas da ejaculação retardada. Diagn. tratamento. [Internet]. 10º de abril de 2020 [citado 30º de outubro de 2026];25(2):72-5. Disponível em: https://periodicosapm.emnuvens.com.br/rdt/article/view/345

Edição

Seção

Medicina Sexual