Famílias de pessoas transgênero: aspectos psicossociais e diretrizes clínicas

Autores

  • Heloisa Junqueira Fleury IPsicóloga, mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo (SP), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-5084-8390
  • Carmita Helena Najjar Abdo IIPsiquiatra, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo (SP), Brasil; Coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, São Paulo (SP), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-6312-8306

Palavras-chave:

pessoas transgênero, serviços de saúde para pessoas transgênero, transfobia, saúde mental, normas de gênero, práticas interdisciplinares, transgênero, gênero diverso, famílias, estresse de minorias, transfobia internalizada, cuidado afirmativo

Resumo

RESUMO
Pessoas transgêneros e de gênero diverso constituem uma minoria frequentemente exposta ao estigma e à discriminação em sociedades heteronormativas e baseadas no binarismo de gênero, que reconhece apenas duas categorias sexuais e tende a rejeitar variantes desse padrão. O objetivo deste texto é discutir os aspectos psicossociais em pessoas transgênero e suas famílias, assim como boas práticas no acolhimento dessas famílias, visando a promoção de cuidado afirmativo e inclusivo, caracterizado pela participação das famílias. A aceitação familiar está associada a melhores desfechos em saúde mental, enquanto a rejeição agrava sintomas de depressão, ansiedade e ideação suicida. A psicoeducação, o diálogo empático e a colaboração interdisciplinar são fundamentais para a clínica afirmativa. Os instrumentos de avaliação clínica devem incluir o nível de aceitação familiar, o impacto emocional entre os familiares e a história relacional da família, favorecendo uma abordagem que substitua a tentativa de “corrigir” crenças por uma escuta compreensiva e facilitadora. As principais referências internacionais para o cuidado afirmativo enfatizam o envolvimento da família como fator protetor e recomendam sua inclusão no processo de cuidado, respeitando sempre a autonomia da pessoa transgênero. Sugerem psicoeducação sobre identidade de gênero e estresse de minorias e a importância do trabalho interdisciplinar com profissionais de saúde, educação e assistência social. O cuidado a pessoas transgêneros e de gênero diverso deve ser compreendido de forma sistêmica, considerando a família como parte  integrante do processo terapêutico. Profissionais de saúde têm papel crucial na mediação dessas relações, devendo atuar com competência cultural, empatia e compromisso ético.

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Publicado

2025-07-01

Como Citar

1.
Fleury HJ, Abdo CHN. Famílias de pessoas transgênero: aspectos psicossociais e diretrizes clínicas. Diagn. tratamento. [Internet]. 1º de julho de 2025 [citado 28º de outubro de 2026];30(3):94-7. Disponível em: https://periodicosapm.emnuvens.com.br/rdt/article/view/3911

Edição

Seção

Medicina Sexual