Avaliação de habilidades clínicas

limitações à introdução de um exame clínico objetivo estruturado (“OSCE”) em uma escola médica brasileira tradicional

Autores

  • Luiz Ernesto de Almeida Troncon Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto and Hospital das Clínicas, Ribeirão Preto campus of the Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

Estudantes de Medicina, Educação médica, Avaliação educacional, Ensino, Medicina, Faculdades de Medicina

Resumo

CONTEXTO: A avaliação das habilidades clínicas tem um papel central na educação médica, sendo importante o uso de métodos apropriados para esta finalidade. O exame clínico objetivo estruturado (“OSCE”) constitui um dos mais válidos, fidedignos e efetivos meios de avaliação de habilidades clínicas. OBJETIVOS: Descrever as percepções de estudantes e professores frente à introdução de um exame “OSCE” em uma escola médica tradicional. TIPO DE ESTUDO: Estudo descritivo, semiquantitativo. LOCAL: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. PARTICIPANTES: Um total de 258 estudantes de Medicina que terminaram um curso sobre habilidades clínicas básicas e seis professores que se envolveram na administração da “OSCE”. PROCEDIMENTOS: Aplicou-se aos estudantes um questionário estruturado para a medida da sua percepção sobre vários aspectos do exame. As opiniões dos professores foram colhidas com outro questionário, cuja aplicação foi seguida por uma entrevista pessoal. PRINCIPAIS MEDIDAS: Percentuais de estudantes satisfeitos ou insatisfeitos com os vários aspectos do exame e opiniões globais positivas ou negativas dos professores sobre a avaliação. RESULTADOS: Os estudantes mostraram-se satisfeitos com os casos e as tarefas clínicas solicitadas, mas 48% deles criticaram aspectos organizacionais do exame. Proporções substanciais dos estudantes relataram dificuldades em controlar o tempo (70%) e o estresse emocional (70%) durante o exame. O aperfeiçoamento de vários aspectos do exame associou-se à redução do percentual de estudantes insatisfeitos com a sua organização (5%), mas as proporções de estudantes relatando dificuldades com o controle do tempo (40%) e do estresse (75%) permaneceram inalteradas. Os professores reconheceram a acurácia do exame, mas criticaram a sua limitação em prover avaliação mais integral da abordagem do paciente. Houve, também, queixas de que o exame era consideravelmente dispendioso em termos do tempo e do esforço necessários para a sua aplicação. O impacto educacional do exame foi percebido como sendo limitado, visto que outros professores, não diretamente envolvidos com a sua administração, não mostraram interesse em discutir os seus resultados. CONCLUSÕES: Junto com a falta de recursos e a complexidade organizacional, particularidades de ordem cultural e a ausência de um ambiente educacional mais favorável podem dificultar o aperfeiçoamento dos métodos de avaliação nas escolas médicas tradicionais.

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Biografia do Autor

Luiz Ernesto de Almeida Troncon, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto and Hospital das Clínicas, Ribeirão Preto campus of the Universidade de São Paulo

MD. Professor of Medicine, Department of Internal Medicine, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Hospital das Clínicas, Ribeirão Preto, São Paulo, Brazil.

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Publicado

01/01/2004

Como Citar

1.
Troncon LE de A. Avaliação de habilidades clínicas: limitações à introdução de um exame clínico objetivo estruturado (“OSCE”) em uma escola médica brasileira tradicional. Sao Paulo Med J [Internet]. 1º de janeiro de 2004 [citado 4º de setembro de 2026];122(1):12-7. Disponível em: https://periodicosapm.emnuvens.com.br/spmj/article/view/2485

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Artigo Original